A Estimulação Transcraniana é uma técnica não invasiva e indolor, que visa promover a neuromodulação cerebral, ou seja, fazer com que o funcionamento do cérebro se modifique em resposta a estímulos externos. Ela provoca uma despolarização dos neurônios do córtex cerebral, ativando ou inibindo sua função, assim é capaz de produzir um equilíbrio químico cerebral, e desta forma pode agir no tratamento de várias condições neurológicas e psiquiátricas. Existem 2 tipos principais de Neuromodulação:
Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) e Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)
Em crianças temos usado a ETCC
*Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) (em inglês: Transcranial direct-current stimulation — tDCS): É uma forma de neuromodulação cerebral, e consiste na aplicação de uma corrente elétrica contínua de baixa intensidade sobre uma determinada área da cabeça através de pequenos eletrodos, capaz de gerar mudanças na excitabilidade cerebral.
A ETCC ganhou destaque no tratamento de pacientes com transtornos psiquiátricos e neurológicos, por sua capacidade de induzir mudanças corticais duradouras.
Quando se fala em crianças é importante considerar a segurança, e nesse sentido a ETCC apresenta-se como uma ferramenta moduladora da plasticidade neuronal, praticamente isenta de efeitos colaterais, é não- invasiva e indolor.
A ETCC já é muito utilizada em países da Europa, como Alemanha, Itália, Espanha, e também nos Estados Unidos e Canadá. No Brasil, o aparelho de ETCC foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no ano de 2014.
Inicialmente o aparelho era usado na reabilitação de sequelas encefálicas, como pós AVC (Acidente Vascular Cerebral), mas posteriormente, através de estudo e casos clínicos, se comprovou a eficácia no aumento das habilidades cognitivas, na fala, atenção, memória e coordenação, e assim seu uso se expandiu para outras condições neurológicas.
Como é feito o tratamento?
O tratamento é feito usando-se um aparelho que gera uma corrente elétrica de baixa voltagem e 2 eletrodos que são colocados na cabeça do paciente. As sessões devem ser diárias, de duração de 20 a 30 minutos, por pelo menos 2 a 4 semanas, após este período de tratamento agudo, normalmente propõe-se um tratamento de manutenção individualizado, que pode variar de algumas vezes por semana ou por mês, no entanto, o número total de sessões e frequência deve ser sempre avaliado pelo médico, de acordo com a resposta clínica do paciente.
E os efeitos colaterais?
Sendo a Neuromodulação uma técnica não invasiva, pouquíssimos são os relatos de efeitos colaterais, o mais comum é uma sensação de desconforto, dor de cabeça leve e transitória, tontura e enjoo, e vermelhidão no local. Todos leves e passageiros após as aplicações.
Veja alguns tratamentos que podem ser feitos em crianças:
*Transtorno do Espectro Autista (TEA) – Clique e saiba mais.
*Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) – Clique e saiba mais.
*Na reabilitação motora pós sequelas neurológicas (AVC, Paralisia Cerebral, TCE, pós cirurgias cerebrais, entre outros)
*Apraxia da fala
*Tics (Síndrome de Tourrete)